domingo, 13 de dezembro de 2015

A Demanda de Rockseeker

Olá a todos meu nome é Tião Carreiro, e essas são as histórias de um tempo em que os deuses andavam pela terra e dragões povoavam nosso céu
Prepare o seu coração
Pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar

O Grupo

  • Conão - Meio Orc Bárbaro
  • José Aldo - Halfling Monje
  • Ermitudo - Elfo Ranger
  • Dadin da Cabuloso - Humano Mago
  • Tião Carreiro - Meio-Elfo Bardo

A Aventura


Era uma noite fria em Neverwinter, eu terminava de fazer mais uma apresentação na Taverna do Mamute Empanado e me dirigia até a mesa de meus companheiros de grupo. Entre uma coxa e outra de Javali Conão explicava os dogmas do Deus da Guerra para José Aldo. Era no mínimo singular ver um Meio-Orc tão letrado em filosofia e diplomacia, ainda que seja uma diplomacia voltada para guerra. Sentei-me mantendo distância de Ermitudo, era um excelente ranger, poderia rastrear um druida em plena Floresta Negra, ou um Anão na Espinha do Mundo durante uma nevasca, mas infelizmente não era muito afeito à hábitos civilizados, entre eles... banho.

Mal cheguei a me acomodar e enquanto me aquecia com uma jarra de hidromel, um anão entrou pela porta principal. Era robusto e envelhecido tal como um tonel de carvalho, a barba bem tratada e jóias em suas mãos, com certeza um mercador.

“Senhores, meu nome é Rockseeker, e preciso que uma carga seja entregue em Barthen, necessito de escolta para essa carga”

 
O posto avançado de Barthen, fica fora da estrada para o sul, e sofre constantes ataques de orcs e outras criaturas daquela região. Não seria uma entrega fácil, mas heróis são forjados nas adversidades. Aceitamos a demanda, não sabendo sequer o que teríamos que entregar, em nossas mentes apenas a necessidade daquelas provisões para os homens que encontram-se naquele posto avançado. A partir desse instante cada um de nós carrega não somente sua história, mas a esperança de cada um dos soldados.

Rockseeker disse que se adiantaria, nós partiríamos na tarde do dia seguinte, ele partiria agora. Ermitudo o advertiu que não era um bom horário, chegaria a Trilha do Triboar no crepúsculo do dia seguinte, mas, como peculiar dos anões, Rockseeker não deu ouvidos ao elfo, e este foi seu grande erro.

No outro dia partimos. O caminho pela estrada principal foi calmo, exceto para Dadin Da Cabuloso, um homem com o poder para destruir um reino com um acenar de suas mãos, um homem envolto em brumas. Carregava seus próprios demônios, a magia o havia consumido... Demônios... Anjos... Criaturas de mundos que jamais veremos vinham até sua mente, ora atormentá-lo, ora ajudá-lo. Nunca sabíamos quando ou quem iria aparecer, por isso estávamos sempre em vigília.

Entramos na Trilha do Triboar com o sol a pino. A mata logo foi se fechando e furtando cada raio de sol que tentava chegar ao solo, ainda que fosse dia embaixo daquelas copas era a mais profunda noite.

Adentramos a floresta, e pouco depois avistamos dois cavalos feridos. Ainda que Ermitudo tivesse tentado nos avisar, José Aldo se adiantou rapidamente. Conhecia a nobre arte da medicina e das poções, se houvesse alguém ferido alí, não permitiria que anjo da morte se aproximasse. Infelizmente o nobre coração de meu companheiro é também um ponto fraco.... Dos arbustos ao redor eles apareceram!! 40 Goblins com o arco em punho, na ponta das flechas era possível ver o pernicioso veneno, mas nada ficaria entre Aldo e aqueles dois viajantes. A flecha zuniu em sua direção apenas para ser aparada por uma das mãos. Conhecem as lendas sobre os pequeninos? Dizem que os melhores perfumes estão nos menores frascos, e os piores venenos também. Naquele momento o goblin descobriu que algumas lendas são tão sólidas quanto o punho de Aldo cerrado em seu queixo.

Travamos uma grande batalha, Os goblins tentavam nos flanquear mas postos ao lado um dos outros conseguíamos nos proteger. Goblin a goblin ia tombando, até que um urro rompeu a noite.

Era Conão... O combate havia despertado o poder de seu senhor, seus olhos brilhavam em chamas, a atmosfera ao seu redor estava elétrica, não mais nosso gentil meio-orc, mas o próprio deus da guerra estava alí. Um segundo urro e seu martelo em um golpe descendente explodiu a cabeça do Goblin. O goblin ao lado inutilmente o atingiu com a espada... coitado... naquele instante já havíamos ganho o combate... Apenas o olhar de Conão removeu a alma do pequeno goblin.

Os outros em um gesto raro de sabedoria, ou talvez, apenas covardia mesmo partiram em disparada.

O combate havia sido feroz, Aldo se aproximou das carroças, mas não conseguiu encontrar nenhum viajante. Apressei em confortar as chagas de meus amigos. Bardos não servem apenas para fazer discursos inflamados, em nosso sangue corre um poder, para cuidar de nosso companheiros e rechaçar nosso inimigos.

Ainda assim estávamos exaustos, havíamos derrotado todo um exército, enquanto discutíamos o que fazer Ermitudo achou uma trilha, duas pessoas arrastadas, uma delas pelo modo rombundo do rastro com certeza um anão e mais alguns goblins. Não tínhamos dúvidas Rockseeker havia sido raptado. Tínhamos que nos preparar, a missão de entrega agora era um salvamento!!

De qualquer maneira precisávamos descansar, então naquele lugar ainda cheirando a sangue montamos nosso acampamento. Revezamos a vigília em uma noite quente e perturbadora. Os olhos voltados para nossos inimigos e o coração em desesperos pelos sortilégios aos quais o goblins estavam submetendo Rockseeker.

O dia amanheceu pálido, parecia que até o sol sabia do peso que carregávamos nos ombros. Ermitudo nos guiou até uma caverna de onde saía um caudaloso Rio.

Do outro lado escondidos em alguns arbustos alguns goblins discutiam até uma flecha certeira de Ermitudo silenciar seu chefe. Acompanhando a flecha, tão rápido quanto o vento corria Aldo, em direção as águas famintas, mas em nenhum momento ele pensou em entrar no rio. Um salto... um giro em pleno ar... A perna distendida e.... o Calcanhar certeiro na fronte do outro goblin! Ainda que distante pude ouvir o som de ossos se partindo.

O terceiro começou a correr apenas para ser carbonizado pela ira do fogo de Dadin. Um pequeno aceno e o ambiente começou a esquentar até que uma chama apareceu em seus dedos, a cham bailava ao seu bel prazer, era o senhor do fogo, e este nada mais podia fazer a não ser seguir seu comando.

Entramos na caverna. Três lobos famintos se apresentaram. E quando retesávamos as cordas de nossos arcos, fomos impedidos por Conão. Que caminhou em direção aos lobos, os rugidos então aumentaram, para logo dar lugar a um choro. Haviam os lobos sentido a presença da morte nas mãos de nosso companheiro? Havia ele subjugado a ira dos lobos pelo próprio fogo da guerra que carrega? Nunca saberemos essa resposta, apenas que os lobos foram embora sem olhar para trás.

Fomos então envoltos pela escuridão, Aldo ascendeu uma lanterna, pois os olhos dos pequeninos se irritam com a escuridão. Em uma curva a esquerda encontramos um pequeno barranco. Escalamos o pequeno barranco e vimo-nos na entrada de um quarto escavado na rocha, onde 4 goblins conversavam.

Dadin nos interrompeu: “Basta de sangue, farei essas criaturas dormirem para que possamos passar” Um gesto e o tecido da realidade começa a se deformar, ouvimos as vozes dos goblins se tornarem cada vez mais baixas até pegarem um um profundo sono e... de repente o tecido da realiadde se rasga. Dadin ressoa em uma gargalhada profana, seus olhos completamente negros. Um palavra em um idioma esquecido e a energia infernal explode do corpo de nosso companheiro.
Os goblins acordam com a explosão, com a pele ainda causticada pela vil matéria, somos obrigados a entrar em combate mais uma vez.

Os goblins não representam grande resistência para nós, um a um tombam ante golpes certeiros, mas um deles consegue fugir.

Eu parto em perseguição através de uma escada, para logo em cima me deparar com uma cena lastimável. Sildar Hallwinter completamente machucado, amordaçado e preso, e ao seu lado ameaçando-o com um punhal o goblin que havia fugido.

Desfiz de minhas armas, no momento o mais importante era garantir a segurança do prisioneiro. Comecei a dialogar, se é que isso é possível com o goblin. Enquanto o enredava nas brumas de meu pensamento, tecendo odes e elogios, Percebi o oco som do arco de Ermitudo se retesando. Teríamos apenas uma chance, àquela altura sabia que flecha já estava pronta.

Mais dois ou três elogios e então, um salto para o solo. Zunindo sobre a minha cabeça a flecha de Ermitudo, seguida, sempre, pelo salto de Aldo em minhas costas. Mas desta vez não haveira nada para o pequenino. Uma flecha certeira entre os olhos encerrou a ladainha do goblin.

Os deuses porém, não estavam não estavam do nosso lado. O goblin caiu com o punhal sobre Sildar. Aldo se apressou em tratar a ferida. O ferimento não mostrou nenhuma dificuldade para nosso nobre artífice. Após colocar a primeira faixa Aldo porém atentou-se para o punhal. Estava manchado... corroído, levou-o até o nariz e.... VENENO!! A arma dos covardes. Sildar então urrou de dor.

Alí, naquela caverna sem suas ervas e seu laboratório, não havia muito o que fazer, o anjo da morte já turvava os olhos de Sildar e roubavam-lhe a luz. O pequenino desfez o curativo na esperança de extirpar o veneno, mas já havia se espalhado. Fosse um guerreiro, ou quem sabe um anão, talvez conseguiria resistir, mas Sildar era apenas um mercador que nesse instante já encontrava-se no abraço eterno da morte.

Aldo refez o curativo, e pude ver uma pequena lágrima molhar uma das faixas. Ele se levantou, outros homens dessa terra julgariam o olhar de Aldo como ira, ou raiva, eu porém, já o conheço a muito tempo. Monges não tem tempo para sentir ira ou raiva, aquele olhar era de foco, concentração, Aldo havia encontrado um objetivo, e quem quer que tenha trazido Sildar e Rockseeker para essas cavernas iria conhecer como é forte a determinação de um monge. Fez os rituais e terminou de limpar o ferimento. Ao fim disse:


“Vamos não há mais o que fazer aqui”

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